A Transcantábrica. Um roteiro surfer europeu

A Transcantábrica. Un roteiro surfer europeu ao norte da Espanha. Tengo Sitio Libre. Blog de Willy Uribe.

Um roteiro surfer europeu ao norte da Espanha

Tradução para o Português. Euskadi. Cantabria. Asturias. Galicia. 2001

Cantábrico. Mar litoral do Atlântico europeu.

Falar da paisagem em que transcorre este roteiro surfer e cultural europeu pode ser muito simples e ser resumido em dois adjetivos: acidentada e verde. Mas dispostos a detalhar um pouco mais pode se dizer que está repleta de vastas rias, pontas rochosas, alcantilados com boa base e praias para todos os gostos. Um cenário capaz de conseguir que um surfer apaixonado pudesse viver uma vida completa senão fosse por uma peculiaridade geográfica. Sua escassa abertura ao oceano. Quer dizer, que nem sempre há ondas e para que haja boas ondas somente com uma direção de mar: Noroeste.

Esta característica não marca só o surf, mas também a paisagem e aos moradores, todos eles integrantes de uma cultura ventilada pelo Noroeste. Vascos, cântabros, asturianos e galegos estivemos sempre virados de bunda às frentes húmidas que invariavelmente sempre chegam do Noroeste, a única direção possível para as melhores ondas no Norte da Espanha. Porque também podem chegar ondas do Norte, mas essas não são boas ondas, pois são curtas, frias e desordenadas. Ou muito do Oeste, que então costumam passar rápido. Do Noroeste, do Atlântico profundo, daí é que vêm as boas linhas de ondas Ah, o Cantábrico! Com suas estradas repletas de buracos e suas boas rodovías, com os bares de estrada, alma de caminhoneiros, suas campinas tranquilas pendurando sobre os alcantilados e as dunas suaves das praias. Com os numerosos atentados ecológicos, com muitas rias contaminadas, pelos derrames incontrolados, seus excessos imobiliários e com poucos espaços limpos. Desolado no inverno, proveitoso e divertido na primavera, barulhento e familiar no verão e especialmente lindo no outono. Um prazer recorrer o Cantábrico nessa última estação, dezenas de carros e furgões rodando de um lado para outro entre a agradável côr dos bosques que começam a perder as folhas e as primeiras nevadas nas montanhas.

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Euskadi, violência e alguns récords

Para não faltar ao tópico ao falar de Euskadi, falarei do seu principal problema: a violência terrorista. Um problema que incide em muitos aspectos da vida cotidiana, incluído o surf, com o conflito entre as federações vascas e espanholas de surf. Euskalherria, é um topônimo vasco que significa a terra dos vascos. E como já devem saber a quantidade de bombas que significou isto, e o que significa hoje em dia, e a quantidade de mortos sobre as mesas dos forenses, e o sofrimento de muitas famílias. Takeupariu, acho que já vai sendo hora de que este problema se acabe. De que caiam de uma vez as armas e se abram as portas do diálogo. Ao escrever isto, contribuo com meu grão de areia à essa rixa sem sentido e tomando um copo de vinho de um gole num boteco portuário asturiano, continuo com Euskadi, sobre o surf, claro.

Aqui encontram-se a maioria dos récords surfistas de todo o Cantábrico. A melhor onda do Cantábrico é Mundaka. A maior fábrica de pranchas é Pukas. A única fábrica de foams é Starwalt. A maioria das marcas surfistas mais significativas têm aqui suas sedes espanholas e as vezes européias. O maior número de lojas de surf. O maior número de surfistas. O maior atentado ecológico a um pico surfista é a desembocadura da ria de Bilbao, precisamente onde se encontra Getxo, o local cantábrico de maior potencial surfista até há uns cinco anos, porque atualmente essa primeira posição a ocupa Zarautz.

Os meninos de Zarautz

No dia anterior a minha chegada a esta cidadezinha guipuzcoana o mar estava enorme e uma de tantas ondas fez virar um pequeno barco pesqueiro em frente ao porto de Getaria. Morreram afogados um pai e sua filha, enquanto que outros dois homens conseguiram salvar a vida. Cheguei de manhã, o mar tinha baixado sua intensidade consideravelmente mas uma luz triste e pesada mantinha a atmosfera da tragédia. Algo comum em ocasiões a todos os portos pesqueiros do Cantábrico e de cualquer litoral. Ainda era cedo e um dia de trabalho, assim que para ver aos jovens surfistas que fazem de Zarautz a melhor base deste litoral, teria que esperar a que acabaram as aulas nos colégios.

Pouco a pouco o lugar foi se animando e o pico enchendo-se. Uma direita brincalhona e de força média ao estilo de muitas praias da rota, nada de ondas perfeitas mas sim suficientes para gerar surfistas de muita qualidade, tendo em conta de que Kelly Slater também começou na Flórida, onde as ondas são dez vezes piores do que em Zarautz. Às duas horas o colégio abriu as portas e a água se encheu de moleques. Em Zarautz o surf deixou sua marca e já está na água a terceira geração. O prestígio um tanto perdido pela desaparição do campeonato Pukas Pro, onde a finais dos anos oitenta os Top-44 descobriram o agito que têm os vascos, recuperou-se pelo potencial destes moleques. Eles, além de subir constantemente em seu nível, dão ânimos ao resto da turma.

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A melhor onda Transcantábrica. A melhor onda européia.

O que se pode dizer de Mundaka que já não tenha sido dito quanto a surf e a sua onda e a essas coisas que os surfers consideramos tão importantes? Tem lugares que definem-se por seus atos, pelo que acontece neles, pelo que as pessoas decidem que aconteça neles. Durante janeiro e fevereiro de 2002 Mundaka foi uma orgia de tubos que coincidiu com o carnaval. O vento Sul amansava as frias temperaturas de inverno e o sol dava um leve  toque a  Indo, mas sem Malária. Um dos melhores aspectos dos lugares famosos é que atraem a tanta gente que é possível que a uns poucos quilômetros tenha ondas quase vazias. Só que não serão tão boas como as de Mundaka, mas a sensação de tranquilidade e de gôzo será maior.

Euskadi tem um litoral pequeno em extensão, mas recorrê-lo buscando as boas ondas pode demorar muito tempo. Todos sabem onde está a melhor, mas poucos sabem localizar a boa e sossegada. Na base de alguns alcantilados, protegidos pelas sombras longas do inverno e por longas caminhadas, existem ondas que rompem solitárias e abandonadas. Quase todo mundo tem no seu ponto de mira a Mundaka, é um imã muito potente.

Cantábria e a fronteira do Brusco

O Brusco é algo assim como um ponto de encontro entre surfistas cântabros e vascos. Salvando as distâncias territoriais poderia ser dito enfáticamente que é como uma fronteira surfista entre Cantábria e Euskadi. Em geral os cântabros não costumam ir mais ao Leste e os vascos tampouco mais ao Oeste.

A onda está situada na ponta de uma longa praia com fundos de areia muito sólidos. Estamos na melhor onda de praia da Transcantábrica, na mais redonda e a mais forte, mas também algo frágil. Necessita umas condições fortes de mar e por cima dos dois metros e meio já começa fechar. O tamanho ideal oscila entre um metro e os dois e meio. As descidas são verticais e os percursos muito encurvados, agradavelmente côncavos. O Brusco é a onda que mais problemas pode gerar com os locais no amplo cenário costeiro de Cantábria. Pneus furados algumas vezes, vidros quebrados e outras. Sua proximidade a dois grandes núcleos surfistascomo Santander e Getxo a situam como um dos pontos quentes da costa, sem que o magnífico e sossegado ambiente que a rodeia possa algumas vezes apaziguar as rixas.

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Meditando a rota em Full & Cas

A fábrica de pranchas de surf Full & Cas está num polígono industrial nos arredores de Santander, um dos quatro grandes núcleos urbanos do Cantábrico como San Sebastián, Bilbao e Gijón. É uma fábrica limpa e com muito espaço. Ali dentro o elemento humano de Full & Cas encontrou um vão para viver do surf.

Manuel Martínez é um caso peculiar. Há um ano morava em Valladolid, interior da Espanha, e surfava nos fins  de semana que podia. Mas conheceu o surf com mais intensidade e acabou mudando-se para Santander, onde a costa está ao lado e não faz tanto frio como em Valladolid. Primeiro trabalhou como salva-vidas nas praias, depois encontrou trabalho na fábrica de pranchas Full & Cas. Tentei e saiu bem, diz Manuel.

Manuel vai descobrindo pouco a pouco outros lugares do Cantábrico, indo com as pessoas que o conhece bem. Dentro de uns dias vou a Gijón e mais tarde à Galicia. Do País Vasco conheço Mundaka, claro, e  alguns outros lugares bons. Mas ele não tem pressa. Tem que ir devagar, tem que conhecer bem os lugares. Se tento conhecer em pouco tempo desaparece o ponto romântico que têm  os surfaris.

Após Manuel me encontrei com Neptuno, um local de Suances de trinta e oito anos e que há doze anos fabrica as pranchas Jalaika numa fábrica grudada à praia de Los Locos. Mundaka, Rodiles e Los Locos, aí estão as melhores ondas do Cantábrico para Neptuno, quem também conseguiu um lugar no planeta laboral do surf. Mas ele rie quando comento isso. Sim, mas para viver justinho. Tampouco pretendo muito, não sou ambicioso. Tento ser simples. E de sair de agitos, agora menos. Tenho uma filha, uma casa, o trabajo, enfim… as coisas são mais sérias agora. Vamos ficando velhos, a pesar de que não tanto para o longboard. De momento continuo com meu 6’7’’. Uma declaração de princípios em contra da galera longbarder que também está presente por este litoral.

Los Locos encontra-se numa posição Centro em Cantábria. No Leste estão Santander, Somo e a área de Noja, com ondas muito conhecidas. E para o Oeste abrem-se um montão de possibilidades mas nenhuma onda conhecida de nome até Rodiles. Muito trajeto costeiro para desprezá-lo. Tem muitas ondas, e não tão escondidas como alguns pensam. Só  tem  que procurar um pouco, distanciar-se dos lugares mais conhecidos.

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De Astúrias, Rodiles

Foram quatro dias de muito silêncio no começo de dezembro. Emboscado com minha barraca de campanha e minhas câmaras ao lado da desembocadura da ria asturiana de Villaviciosa, as horas passavam em companhia de umas ondas que não paravam de quebrar sobre a barra e de uns bons livros. Um vento Sul seco e frio e umas noites gélidas fizeram do meu saco de dormir um lugar mágico e do ruído das ondas noturnas o melhor sonífero para um solitário que passeava pela beira-mar contando as estrelas.

A barra de Rodiles esteve em forma esta temporada, apesar de que continua um pouco frágil após um 2001 nefasto. Vinte caras como muito e bons tubos. Rodiles já não é aquele lugar onde te jogavam pedras desde o alcantilado, mas atenção, tampouco é uma onda fácil. Já são trinta e cinco anos de surfing local. Se você é novo no pedaço tem que ir com calma e humildade, observe e surfe, seus tubos na melhor onda asturiana o agradecerão. E não se preocupe tanto pela maré, porque em Rodiles, com diferença de outras rias cantábricas, é possível surfar com maré-cheia.

As ondas de Rodiles, para os forasteiros, sempre são comparadas com a outra saída de ria cantábrica no mais alto grau: Mundaka. Sempre foi dito que são parecidas, sempre foram comparadas e realmente têm aspectos em común; o fundo de areia, a saída de ria, ambas são esquerdas, necessitam a mesma força de mar, o ambiente em que quebram é alucinante e conquistaram surfistas do mundo inteiro. Entretanto há dois aspectos que fazem-nas completamente diferentes: A qualidade das ondas e a atitude dos surfistas. Mundaka é uma World Class Wave mas os surfers não costumam comportar-se World Class. Em Rodiles sim, apesar de que também tenham suas divergências, andam com respeito na água. São fatores muito importantes que acabam dando a cada lugar um sabor distinto e também atraindo a surfers de caracteres diferentes.

Lucas García explora o Oeste

Alguém definiu uma vez ao Lucas García, atual campeão da Espanha, como o melhor surfista asturiano da história. Desde os quatorze anos  está dando forte ao surf por todo o Cantábrico, tanto em campeonatos como em surf livre. Agora trabalha como representante de umas marcas surferas cobrindo a área de Astúrias e Galicia desde Salinas, o principal núcleo surfista de Asturias com Gijón. Pergunto pelas melhores ondas do Cantábrico, se ele se atreveria fazer um ranking. Lucas responde com diplomacia. Acho que tem um pouco de tudo em cada comunidade. Todas têm três ou quatro ondas super boas. Claro que a  partir daí cada um tem suas preferências. Eu iria mais para casa, para o litoral de Astúrias ocidental e Galicia, que é mais perto para mim. Além disso essa área é pouco frequentada e está um pouco longe do grande crowd de surfistas que tem no País Vasco e Cantábría. A pesar de que começa crescer, aqui o surf ainda não está muito desenvolvido e ainda podemos aproveitar os lugares em que podemos surfar sozinhos. Astúrias tem longos percursos costeiros muito alcantilados e sem acessos de rodagem. Talvez a última fronteira surfista européia. Este litoral ainda  está sem descobrir totalmente. Muitos lugares bons descobertos e muitos outros  por ser explorados. Tem áreas do litoral que são realmente difíceis de controlar. Fiz  algumas excursões por alí e os acessos são realmente complicados. É preciso uma lancha. De qualquer maneira acho que alguns continuarão sem ser surfados, porque como ainda temos muito bons lugares pouco frequentados não há a necessidade de explorar  outros.

Entrando em Galicia por A Mariña

Grande parte do Litoral Oeste do Cantábrico, digamos que entre Tápia de Casariego e a ria de Ortigueira, tem uma maravilhosa baixa densidade surfista. A parte do ocidente asturiano e A Mariña lucense, como Las Landas francesas em miniatura, possuem um montão de picos de areia geralmente vazios e algumas rompentes de rocha de alta qualidade e bem redondas. A maioria dos dias, sobretudo no inverno e primavera, se vê algum surfista por aqui, outro por lá, ou não se vê nenhum deles. É um litoral baixo e solitário com uma estrada muito boa que a recorre em paralelo durante quilômetros. No mês de dezembro passado estive esperando durante toda uma manhã a que alguém entrasse na água para compartilhar as ondas, depois de três horas de surfing solitário, um verdadeiro prazer para os sentidos, o que não é nada estranho por aqui. Claro que não apareceu ninguém, tampouco no dia seguinte.

No meio destas solidões encontra-se Foz, que com Mundaka e Rodiles formam a trilogia das rias cantábricas. Baixando  em qualidade conforme avançamos  de Leste a Oeste e se nos apoiamos na fama de cada onda, ou aumentando essa qualidade se tomamos como referência as vantagens do anonimato, muito mais visível nestas esquinas peninsulares. Foz, povoado galego com um desenvolvimento imobiliário surpreendente, tenta converter-se na capital do turismo estival desta área. Para isso põe em jôgo muitos recursos e inventa outros, mas o surf não entra na agenda. Por aqui não existe a assimilação surfista de outros lugares. Por aqui o surf é quase um estranho. Muito poucos locais constantes e nenhum núcleo surfista de importância. Em resumo, um bom  lugar para deixar  a alma surfar e depois deixá-la dormir atrás de uma duna.

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Canning e Martin. Dois Sul-africanos com saudades

Como bem me dizia Lucas García em Asturias, o litoral galego ainda guarda muitas ondas e tem muito que dar de si. Eles têm  suficiente com os cinco lugares que se surfam habitualmente e isso deixa muitos lugares solitários. Pantín, Doniños e Campelo são três pontos claves que não falham quase nunca, além de tudo que tem ao redor. Certeza que isso, além de outros fatores, é o que chamou a atenção dos gringos anglo-saxões e introduziu no seu  dicionário mental o termo “Morriña” . Morriña é uma palavra galega que significa algo assim como uma saudade húmida, um estado especial de nostalgia.  Um sentimento difícil de concretar  que alguns idiomas não o incluem em seu lêxico. Acho que em inglês não existe, mas tanto Clyde Martin, juiz ASP, como Paul Canning, Top 44 WCT, assimilaram o conceito e o experimentam quando viajam. O primeiro leva muito tempo instalado na área de Doniños, o coração surfer desta última etapa Transcantábrica, e o segundo anda enfeitiçado por uma meiga de olhos chispeantes. Encontrei a ambos surfando juntos nas ondas de Esmelle, uma das variadas ondas da ampla comarca compreendida entre Cedeira e Ferrol. Como sempre que vou por lá, tinha ligado antes para o Luis Rodríguez, um bom surfista galego, para ter companhia num fevereiro tão solitário. Quando o Luis chegou, entrou direto na água apesar de que as ondas fossem muito pequenas e deitadas por um excessivo vento terral. Ele tinha que dar tudo de si, afinal ele é um profissional em ciernes e além disso tinha na sua frente uma teleobjetiva. Paul e Clyde demoraram pouco tempo em sair. Clyde, gritando desde um canto da praia, me convidou para ir na casa dele e Paul me cumprimentou efusivamente, mas acho que sem ter a menor idéia de quem era este imbecil que perdia tempo e filmes de fotos com umas ondas tão péssimas.

A esquina atlântica e Santiago de Compostela

Aquí não é tão  fácil progredir no surf como em Zarautz, Sopelana, Santander ou Gijón. Quando se fala de esquina afastada não é retórica. As obras para expandir a rodovia do Cantábrico começam ser  intermitentes em Astúrias e desaparecem em Galicia. A rodovia proporciona a rapidez de deslocamentos, contatos e variedades de surf possíveis,  é algo importante para quem queira incrementar o nível de surf. Mas Luis e outros surfers galegos têm que esperar alguns anos mais para vê-la terminada e deverão continuar treinando com o que têm na mão, que não é pouco.

Após a última onda de Luis, terminada com um floater limpo e radical, acabamos a tarde com um cafezinho e uma boa conversa e cada um pegou o seu caminho. O meu continuava até Santiago de Compostela, capital espiritual européia na Idade Média. Quando cheguei dei uma volta pelas ruas medievais, entrei em alguns botecos de velhos, me refresquei com a água benta da Catedral em companhia de alguns peregrinos e depois voltei para casa agradecendo a quem seja por fazer da minha vida uma Transcantábrica contínua.

………………………….

Crónicas del salitre. Willy Uribe. La Circular Ediciones, 2003A história do A Transcantabrica foi publicado pela primeira vez na revista Surf Europa (n. 18). (Ano 2002). Ele também é publicado no livro Crónicas de Salitre (La Circular Edicoones, 2003).

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